31.8.09

[Review] - X-factor volta mais dinâmico e mais humano em 2° episódio



Rafael Maia


Depois da estranheza do primeiro episódio da sexta temporada, preciso confessar: estou apaixonado pelo x-factor. Talvez não 'apaixonado', porque isso seria inconsequencia repentina, mas certamente deslumbrado pelo apaixonante segundo episódio do programa, que foi ao ar sábado, 29.

E o principal motivo do meu deslumbre é a edição do show, que se tornou mais atraente, mais dinâmica e mais inteligente no sentido de conseguir minimizar momentos sem sal na medida em que maximiza aqueles que são bons. E, admito, isso só foi possível pela inserção da plateia, que, à moda britânica, empresta sua voz para aclamar o rei ou a rainha da noite.

Um dos pontos altos que exemplifica minha ideia é a audição de Rozelle Philip. Totalmente despretensiosa, Rozelle, antes de cantar, encanta pela simpatia, carisma e simplicidade. Quando mostra a voz, encanta pela força e pelo controle na versão de 'One Night Only' de Jennifer Hudson.

Veja vídeo da audição de Rozelle Philip, que impressiona pela potência vocal inesperada


Eu gosto desse 'human-factor' nesse tipo de programa, que mostra pessoas normais e não-estereotipadas, cuja imagem de afasta da seriedade e sisudez do herói e se aproxima do ser humano comum, como foram Alexandra Burke, que sequer foi selecionada para a última etapa na terceira edição e acabou ganhando a quinta com louvor e Leona Lewis, de personalidade tímida e apagada, mas com potência e abilidade vocais indiscutíveis.

Agora, para quem acompanha Simon Cowell nos últimos 10 anos, seja no Reino Unido ou na América, vê-lo sorrir e, sim, cantar junto com um candidato foi um dos momentos mais gostosos da televisão pela surrealidade do momento. Ler os lábios do tio cantando 'Sex on Fire' dos meus queridos Kings of Leon, com seguro e sexy Jamie Archer, foi impagável. O público cantou junto, os jurados dançaram ao som da música e , ao final, o estúdio foi abaixo e Jamie Afro, como é chamado, foi ovacionado. Certamente é um nome a ser guardado. Como cantou Leona na quarta edição, could it be magic at last?


Veja vídeo e se apaixone pela energia de Jamie 'Afro' Archer










Como eu disse no post da estreia do programa, ainda há três meses pela frente. Eu espero que, à semelhança deste segundo episódio, o X-factor ainda ofereça muitos mais motivos para se apaixonar por ele.

30.8.09

[Review] - Shakira é a melhor artista pop do mundo

Rafael Maia

Às vésperas do lançamento de seu terceiro álbum de estúdio em língua inglesa e sétimo da carreira, o 'She Wolf'/'Loba', Shakira mostra um pouco mais do que crescimento artístico e flexíveis movimentos de dança. Ela quer, e consegue, se afirmar como a melhor, mais centrada, mais densa e mais refrescante sensação pop dos últimos anos.


Colombiana de Barranquilla, Shakira Isabel Mebarak Ripoll nasceu em 1977. Filha de pai turco e mãe latina, ela lançou seu primeiro álbum, intitulado 'Magia', em 1991, aos 15 anos. Mas o sucesso estrondoso veio com o terceiro álbum em espanhol, 'Pies Descalzos', com o primeiro single 'Estoy Aqui'.


Veja vídeo de 'Estoy aqui', marca do início da carreira e do sucesso na América Latina 








De lá pra cá o sucesso só aumentou. E o que era concentrado nos países da América Latina, em um primeiro momento, se transformou no crossover mais bem sucedido de todos os tempos. A passagem da música latina para abocanhar o mercado mundial com canções em inglês aconteceu, por assim dizer, na cara e na coragem. E deu certo.  'Laundry Service', com o pobre, mas necessário carro-chefe 'Whenever, Wherever', catapultou Shakira e vendeu mais de 20 milhões no mundo. Com mais de 70 milhões de cópias vendidas na carreira, ela é considerada, hoje, uma das frontrunners da música mundial, com mais de 30 prêmios recebidos, entre Grammy,  Latin Grammy, VMA e Billboard Awards, segundo site da BMI.

Assista a 'Whenever, Wherever', primeiro single da carreira com canções em inglês





Dentro do mundo pop, Shakira é quem ainda preserva algum espaço para execução de sonoridades diferentes e de modo experimental. Bons exemplos disso são as músicas de concepção oposta 'No', do Fijácion Oral, bela, triste e obscura, e  da envolvente 'La Tortura', que mistura ritmos da América Central e da Espanha e conta com participação de Alejandro Sanz.

Veja os vídeos de 'La Tortura' e 'No', ambos de 'Oral Fixation'/'Fijación Oral', segundo álbum em inglês.  A concepção oposta das músicas evidencia o caráter único e original da cantora













Não pode se entender por isso, no entanto, algo como avant-garde. Isso seria um pouco demais até mesmo para shakira, até mesmo para o universo pop, que, facilmente, acaba por se ligar mais às noções mercantis de lucro do que à construção de obras artísticas originais e relevantes. A experimentação a que me refiro é de tentar novos sons, novas misturas, novos olhares sobre o fazer musical.

No novo trabalho, mais do que evolução musical, o que o primeiro single, que também leva o nome de 'She Wolf', inspira é maturidade para buscar o novo, inserir sons inusitados e experimentar o diferente sem ter medo de perder sua identidade. De acordo com a cantora, ela quer fazer com que todos esqueçam dos problemas do mundo e dancem pelo menos uma música.

Shakira não parece, diferentemente de cantoras como Beyoncé, preocupada em propor um modelo musical fechado que possa ser identificado somente como seu. Ela está mais interessada em transmitir ao mundo a sua maneira de interpretar os sons, combiná-los com letras muito bem construídas e de tentar driblar a tal 'noção mercantil de lucro', que, geralmente, produz grandes abominações pop à la Hannah Montana, culminando em um trabalho altamente autoral, honesto e que não se baseia no trivial. Shakira é, hoje, a melhor artista pop do mundo.

Clipe de 'She Wolf', que tem batidas eletrônicas e marca nova fase da cantora, que quer colocar todo o mundo pra dançar






29.8.09

Beatles estampa capa da revista Mojo de outubro


Todo mundo lembra da famosa capa de 'Abbey Road', 12º álbum dos Beatles lançado em 1969, em que eles atravessam a faixa de segurança da rua. E, por isso, o pessoal da revista Mojo resolveu não brincar em serviço. Em comemoração aos 40 anos de um dos trabalhos de maior sucesso do quarteto de Liverpool, a revista traz os rapazes na capa da edição de outubro com um brinde: o 'Abbey Road Now', cd com covers do original interpretado por cantores como 'Cornershop', 'Glenn Tilbrook' e 'Noah And The Whale'.

A edição de outubro ainda tem 'LCD Soundsystem', 'Charlotte Gainsbourg', 'Neil Diamond' e novo álbum do 'The Cribs', além de entrevista exclusiva com Sir Paul Macartney. Alguém me dá de presente?

Confirmado: Noel Gallagher anuncia saída de Oasis

O guitarrista e co-fundador do Oasis, Noel Gallagher, anunciou ofialmente hoje, sexta-feira 28, sua saída da banda de Manchester.
Em pequena nota divulgada no site oficial do grupo, Noel informou que 'com muita tristeza e alívio', nesta noite, ele deixa a banda por motivos pessoais. Ainda na nota, ele afirmou que a convivência com o irmão Liam Gallagher se tornou insuportável. As constantes brigas, de acordo com o músico, destruíram a banda.
Segundo agência de notícias France Press, após cancelamento de show no Rock en Seine, em Paris, o porta-voz da banda subiu ao palco e disse: ' Liam e Noel tiveram uma briga nos bastidores. O grupo não existe mais. Eles não tocarão esta noite e estão cancelando o resto de sua turnê europeia'.
No início da semana, como o Dside Music Blog informou, Liam Gallagher havia lançado nota também no site da banda desmentindo os rumores dos tablóides ingleses sobre fim do grupo depois de cancelamento do último show do V Festival no Reino Unido.

28.8.09

Filme sobre Woodstock estreia nos EUA e no Reino Unido


'Taking Woodstock', novo filme do diretor Ang Lee (Brokeback Mountain, 2005; Blueberry Nights, 2007) estreou no último final de semana nos Estados Unidos. Na terra da Rainha, ele deve chegar às telas em novembro.
Com Emile Hirsch e Eugene Levy, o filme, uma adaptação do livro 'Taking Woodstock: A True Story of a Riot, a Concert, and a Life' de Elliot Tiber, conta a história do protagonista Tiber (Demetri Martin), que acaba se envolvendo com a organização de um festival de música para juntar dinheiro para salvar o hotel dos pais da eminente falência. O que ele não imaginava era as proporções que isso iria tomar.
O festival de Woodstock, que começou em 15 de agosto de 1969, durou três dias e recebeu mais de 400 mil pessoas. Com imagem ligada ao movimento Hippie dos anos 70 nos EUA, ele reuniu atrações como The Who, Janis Joplin e Jimi Hendrix.

Veja Trailer Oficial de 'Taking Woodstock' abaixo:

27.8.09

[Review] – O que falta em José González?

Bruno Colbachini Mattos 
 

A música de José Gonzalez é como strogonoff feito com carne de soja: parece ótimo à primeira vista, mas depois você percebe a falta de consistência. Violonista de talento, González tem também bom timbre de voz e estilo marcante. É difícil, portanto, entender exatamente o que falta no ‘singer-songwiter’ sueco. 


Com dois álbuns lançados (‘Veneer’ em 2005 e ‘In our Nature’ em 2007), José me parece um artista de grande potencial, mas que ainda precisa evoluir bastante. Nessa resenha, aponto aqueles aspectos que considero cruciais* para que o músico, quem sabe, se torne um dos grandes nomes da música popular contemporânea. 
* Não me proponho a assumir o papel de dono da verdade: trata-se apenas de uma opinião subjetiva, tão válida quanto qualquer outra. Afinal de contas, não existe receita para o sucesso artístico. O que proponho, na verdade, é um exercício de reflexão, naturalmente aberto ao debate.
 


1 – Técnica vocal: González tem uma voz bonita e agradável, mas poderia fazer melhor uso dela. A impressão que tenho ao ouvir os discos é de que o sueco ousa pouco enquanto canta: é sempre o mesmo volume, o mesmo tom, o mesmo 'timming'. Uma possível causa é a aparente timidez de José, que parece quase constrangido em suas apresentações. Pode até ser que agrade a alguns, mas eu acho ameno demais.  Por causa disso, ótimas composições acabam se tornando monótonas, como se fizessem parte do repertório de uma banda medíocre de ‘twee pop’.

2 – Adicionar outras texturas: claro, não proponho que o músico seja acompanhado por uma banda completa. Nem acredito que tal coisa fosse interessante: José tem uma maneira bastante percusiva de tocar violão, e sabe tirar bom proveito disso. Grande parte de suas músicas, portanto, têm uma estrutura bastante fechada, apresentando um ambiente claustrofóbico. Em alguns casos, porém, acredito que a inclusão de outros instrumentos (um acordeon ou violinos, digamos) músicos seria benéfica. Seria uma forma de adicionar novas texturas às suas gravações e tornar seus discos menos monocromáticos. Além disso, o caráter minimalista de seus arranjos acabaria por ressaltar os outros instrumentos. 

3 – Técnica de gravação: por falar em arranjos minimalistas, não entendo o porquê da opção por gravações ‘lo-fi’ para um disco de ‘folk’ voz e violão, embora elas sejam relativamente comuns. José González toca violão muito bem, e o instrumento é um dos que tem melhor ressonância com a voz humana. Seria interessante ouvir as músicas dele em gravações limpas, que dessem atenção aos detalhes da voz e ao som dos dedos batendo contra as cordas. 

4 – Lirismo: sim, é preciso dar um desconto. José González não é falante nativo de inglês e optou por escrever nessa língua com o nobre objetivo de atingir um público maior. Acontece que o vocabulário limitado dá um aspecto quase infantil para alguma de suas letras. É uma questão de maturidade poética que só virá com leitura e uso freqüente da língua. Oportunidades para isso ele deve ter de sobra em suas turnês internacionais, e acho que a situação deve melhorar com o tempo. Certa vez um amigo disse que “as melhores músicas do José González são ‘covers’” (vide ‘Heartbeats e ‘Teardrop’), e acho que em parte é por causa das letras.

The Cranberries voltam para turnê nos EUA e Europa

Os irlandeses do 'The Cranberries' anunciaram nesta terça-feira, 25, que farão série de shows pelos Estados Unidos e Europa, segundo informa a edição online da revista inglesa NME.


A banda, que se reúne pela primeira vez em sete anos,  afirmou que esse é o momento certo para o reencontro. De acordo com Hogan, guitarrista do Cranberries, os anos separados foram enriquecedores porque permitiram que cada membro da banda trabalhasse em um projeto pessoal distinto.
O início da turnê está marcado para começar em novembro nos EUA e deve partir para a Europa em 2010. A nós, tupiniquins de papo amarelo, resta esperar que os novos shows rendam pelo menos álbum e DVD inéditos.

26.8.09

Após cancelamento em festival, Oasis pode acabar


Depois da confirmação de que não iriam participar da última noite de shows do V Festival, tablóides ingleses começaram a especular sobre possível fim do Oasis nesta terça-feira, 25.
Desde o início da turnê mundial de 'Dig Out Your Soul', o fechamento do V Festival estava agendado para os meninos de Manchester, que também realizariam ali o último show da turnê do Reino Unido.


No entanto, em nota oficial divulgada no site oficial da banda, Liam Gallagher afirmou que estava com laringite viral e agradeceu as bandas que cobriram o Oasis no V. 
A nota ainda desmentiu os rumores dos tablóides, mas sinalizou que, após retomada da turnê mundial, a banda tirará, sim, tempo indeterminado de férias para discutir o próximo álbum.

25.8.09

'Bleach', do Nirvana, será relançado em CD e Vinil


O álbum 'Bleach', do Nirvana, será relançado pela Sub Pop Records em CD e vinil duplo. O material deve chegar às lojas no dia 3 de novembro deste ano, informou a publicação mensal Rolling Stone.
O anúncio do relançamento de 'Bleach', de 1989 acontece em comemoração ao aniversário de 20 anos deste que é um dos álbuns mais importantes para o grunge dos anos 90.
A versão especial ainda contará com gravações ao vivo de 'About a Girl', do 'The Vaselines', 'Molly's Lips' e 'Love Buzz', além de dezenas de fotos inéditas de Kurt Cobain e a trupe de Seattle.

Veja vídeo de show surpresa de Amy Winehouse na Inglaterra

Depois de oito longos, desastrosos e, por que não, heróicos meses na ilha de St. Lucia, no Caribe, Amy Winehouse voltou à Inglaterra. E, dessa vez, não tem a ver com o problemático ex-marido Blake.

Por incrível que pareça, ela foi cantar. Isso mesmo. Amy se apresentou, por 10 minutos, como convidada da banda de ska The Specials no V Festival. Ela participou do medley das músicas 'You're Wondering Now' e 'Ghost Town', sucessos da banda. Veja vídeo abaixo.



Ao subir ao palco, Amy foi recebida aos aplausos e aos gritos. Diferentemente do ano passado, em que, no mesmo festival, ela teve sua apresentação abafada pelas vaias do público.

Ao final, de brinde, ela ainda anunciou a próxima atração: Pete Doherty, amigo confidente e parceiro de pubs, decepções amorosas e outras coisitas más.

24.8.09

Vinil autografado do Neutral Milk Hotel ultrapassa US$ 500 em leilão



Uma cópia em vinil autografada do álbum 'In the Aeroplane Over the Sea', da banda Neutral Milk Hotel, ultrapassou os 500 dólares em um leilão no site de vendas ebay (clique no link para ver a venda). O LP traz a assinatura de Jeff Mangum, cantor e letrista da banda norte-americana - que encerrou suas atividades após o lançamento do disco. Como os fãs e colecionadores ainda têm cerca de seis dias para dar lances, a tendência é que o valor final seja ainda maior. O leilão faz parte de uma campanha de arrecadação de fundos para crianças sem-teto da Mongólia, e conta também, entre outros, com um pôster autografado pela banda canadense Of Montreal.


Lançado em 1998, 'In the Aeroplane Over the Sea' é o segundo disco da banda Neutral Milk Hotel, até então uma banda desconhecida do circuito independente. Posto pela crítica entre os melhores discos da década de 1990, o álbum ganhou uma legião de fãs com o passar dos anos. Jeff Mangum, porém, recolheu-se ao anonimato, e o Neutral Milk Hotel nunca mais lançou um disco.
Para ver outros itens em leilão na mesma campanha, clique aqui.

6° temporada de X-factor tenta recriar momento Susan Boyle

rafael maia


É bom esquecer o formato original dos programas à la American Idol em que a primeira fase, a das audições, acontece sem instrumentos, em uma sala fechada, com a presença somente dos juízes e do cantor em potencial. E a culpa de tudo isso é de Susan Boyle. Ela não conseguiu somente atingir milhões de pessoas ao redor do mundo com sua audição surpreendente de 'I dreamed a dream', no 'Britain's Got Talent', como também modificou o consolidado programa de calouros X-factor, que revelou cantores como Leon Jackson, Alexandra Burke e a estrela mundial Leona Lewis.

Os jurados Simon Cowell (D), Cheryl Cole, Dannii Minogue e Louis Walsh
A estreia da 6° temporada do programa inglês, no dia 22/8, baniu a primeira fase como conhecíamos. Agora as audições acontecem em um mega estúdio, com cerca de duas mil pessoas, dezenas de câmeras, equipamento de som avanço e os jurados, com todas as caras e discursos ensaiados esperando a próxima Susan Boyle subir ao palco.

Se a mudança é nociva ou não ao formato me parece um tanto cedo para validar. Agora, o efeito 'Susan Boyle' compromete, sim,  uma das cartas-na-manga desse tipo de atração, que era justamente a espera pela fase em que a produção meia-boca das audições daria espaço à fase do 'show' de fato, somente com aqueles poucos aspirantes selecionados e supostamente os melhores.

De qualquer maneira, o X-factor é, do conjunto de programas semelhantes, aquele com o formato mais flexível e mais atraente a mim, que sou fã da atração, dos jurados Simon Cowell, Louis Walsh, Dannii Minogue, e da lindíssima Cheryl Cole, além do apresentador Dermot O'Leary. Mas vamos lá, tem muito X-factor pela frente para tirar conclusões precipitadas. Ele deve estar no ar pelo menos pelos próximos três meses.

A Susan Boyle da season premiere foi o de fato excelente professor Danyl Johnson, cantando Beatles

23.8.09

[Review] - Arctic Monkeys joga fora jovialidade e faz álbum sombrio - [2009]

rafael maia


Se é verdade que, com o avançar da idade, todos ficamos mais sérios, mais serenos, mais pacientes, então não haveria de ser diferente com os rapazes do Arctic Monkeys. Hoje mais velhos, a notável nova pele que reveste a banda britânica é refletida nas letras mais sisudas e na produção mais sombria de 'Humbug', terceiro álbum de estúdio que será lançado oficialmente amanhã, 24, no Reino Unido.


Acostumados com as músicas 'I bet you look good on the dancefloor' ('Whatever people say I am, that's what I'm not'; 2006) e 'Brianstorm' ('Favourite Worst Nightmares'; 2007), o primeiro single do novo álbum, 'Crying lightning', soa bastante estranho aos ouvidos dos fãs da banda. Mais tarde, ao se ouvir o álbum todo, percebe-se, que, na verdade, a sobriedade e a escuridão da produção musical percorrem todas as dez faixas de 'Humbug'

E é aí que, ao meu ver, está a graça do álbum e o sentido de sua existência. Ele é diferente e válido na medida que mostra uma nova visão musical dos Monkeys, mas ainda guarda a essência dos meninos ingleses. 'My Propeller', música que abre o 'Humbug', 'Cornerstone', que tem um quê de rock progressivo suave, e a excelente 'Crying lightning' merecem ser ouvidas mais de uma vez para que se preste atenção às melodias e às letras, que são simples, porém inteligentes.

O que poderia trabalhar contra a imagem jovem e vivaz do Arctic Monkeys funciona a favor da consistência da banda, que se traduz no frontman Alex Turner mais seguro, com a voz mais madura e mais sexy in different ways. O álbum é uma obra bem construída, fechada, em que o guitarrista Jamie Cook, o baixista Nick O'Malley, o baterista Matt Helders e o vocalista, que também leva as guitarras, parecem ser peças de um quebra-cabeça em que cada um sabe com exatidão o lugar que ocupa.

No Brasil, o álbum tem estreia prevista para o dia 7 de outubro de 2009. Enquanto o trabalho não chega por aqui, veja vídeo do primeiro single de 'Humbug'.


Para quem quiser fazer download do álbum, a comunidade do Orkut Discografias oferece boas opções.

22.8.09

Get ready to dance & meet London's new girl Ellie Goulding

rafael maia


Prepare-se para dançar, mas não pense em suar ou se acabar numa pista de dança. O que Ellie Goulding quer é te fazer dançar instintivamente, por dentro, sentindo sua música até os ossos.
A moça, nascida no País de Gales, ainda não tem músicas lançadas oficialmente, mas já tem sido chamada de 'The next big thing' na Inglaterra, como não podia deixar de ser. Depois de Little Boots, La Roux e Florence + The Machine, que também receberam esse título, ela soa mesmo como aquilo de mais cool  que o electropop britânico é capaz de criar.


O repertório de Goulding ainda é bastante limitado, mas não pouco prazeroso. 'Wish I Stayed', sua música mais bacana e mais gostosa, conta com a participação e produção do não menos hypezado FrankMusic. 'Starry Eyed' é um som pra dançar, com muita gente ou sozinho, no quarto, no último volume, com a companhia de uma luz escura. A animalesca 'The Wolves' é um cover etéreo e sombrio de Bon Iver que me lembra as mais belas músicas de Kate Havnevik, enquanto a divertida 'Guns and Horses' experimenta o electropop com uma pitada de dance music.

Escute todas as músicas citadas e mais um pouco no MySpace de
Ellie Goulding

Thoughts? Confesso ter ficado bastante contente e animado com o aparececimento de Ellie Goulding. Não pela suposta originalidade, porque isso é papo pra gente boba, mas pela qualidade e honestidade do material que caiu na rede até agora.

The Libertines vai voltar, afirma Pete Doherty

dside music

Pete Doherty, atual frontman do 'Babyshambles', anunciou à revista inglesa de música NME.com que a volta do 'The Libertines' é inevitável. De acordo com o moço, a banda deve tocar novamente em festivais a partir de 2010, como o de Glastonbury.


John Hassal, baixista da banda, e o baterista Gary Powell já teriam confirmado o desejo de retornar com o 'The Libertines'. O empecilho no momento seria Carl Bârat, que, digamos, guarda lembranças não muito amorosas do companheiro Doherty.

Em 2004, Bârat precisou tomar a frente da banda para cumprir a agenda de vários shows pré-marcados. Doherty havia sido expulso do grupo por problemas com drogas.

Mas quem gosta do moço e acha que seus problemas fazem parte da sua imagem não deve esperar tanto para vê-lo no palco novamente. O 'Babyshambles' anunciou ontem, 21, nova turnê pelo Reino Unido, que deve começar em dezembro. Quer uma passagem pra UK? Eu também.

21.8.09

Yeah Yeah Yeahs e Raconteurs gravam trilha de filme

por dside music


Karen O, vocalista do 'Yeah Yeah Yeahs', e Jack Lawrence, do 'Raconteurs', estão confirmados para a trilha sonora oficial de 'Onde vivem os monstros' ('Where the wild things are'; EUA, 2009) de Spike Jonze.
Em entrevista exclusiva ao MTV News do Reino Unido, Karen afirmou estar pessoalmente envolvida com a produção do filme pelo tema que ele leva às telas. Para ela, a inocência retratada por Jonze é identificável em suas músicas e em sua própria personalidade.
Dean Fertita, do 'Queens of Stone Age', 'Arcade Fire' e Greg Kurstin, produtor das cantoras Lily Allen e Britney Spears, também participam do álbum, que deve estar nas lojas em 29 de Setembro, segundo informa a Rolling Stone americana.
'Onde vivem os monstros', adaptação do livro homônimo ('Where the wild things are', 1963) de Maurice Sedak, será lançado em 16 de Outubro nos EUA. Pelas terras tupiniquins, o filme ainda não tem data de estreia prevista. Por enquanto, vai abaixo o trailer oficial divulgado semana passada.


20.8.09

[Review] - Como um show do Arcade Fire mudou minha vida

por Bruno Cobalchini Mattos

Poucas pessoas se dão conta quando estão passando da pré-adolescência para aquilo que é considerado o início da maturidade, mas eu sei o momento exato em que aconteceu comigo. Foi em 26 de outubro de 2005, por volta da meia noite e meia. Quando tinha saído de casa, na tarde do dia anterior, meu objetivo era assistir aos Strokes. Mas acabei abandonando meu lugar na platéia (excelente, quase junto à grade) poucos minutos depois de eles subirem no palco. Os motivos? O empurra-empurra era desumano, e diversas pessoas desmaiavam por falta de ar. Achei que seria melhor acompanhar o resto da apresentação lá do fundo. Mas o que decidiu mesmo foi a certeza de que já tinha visto o melhor show da noite.

Quando foi anunciado que os Strokes iriam tocar em Porto Alegre, nenhum dos meus amigos deu atenção pro Arcade Fire, banda que tocaria antes dos norte-americanos e sobre a qual nada sabíamos. Foi melhor assim. Se tivesse acontecido de outro jeito a experiência não teria sido tão incrível. Naquela noite, quando os canadenses encheram o palco (encheram mesmo, eram oito ou nove!), tudo era novidade: o ‘feeling’ do vocalista, as trocas de instrumentos entre os integrantes de uma música para outra, os capacetes utilizados como instrumento de percussão, a mulher de voz linda que cantava em francês. Tudo era deliciosamente inesperado.

Lá pelo meio do show, fiquei um pouco sem jeito de não ter procurado saber quem eles eram antes daquele dia. Se tinha uma banda que merecia a minha atenção era aquela. Mas o meu mal-estar durou pouco: foi logo sublimado por uma maré de vergonha alheia. Boa parte dos (outros) pré-adolescentes imbecis (sim, eu já era um pouco arrogante) que foram lá pra ver o Strokes estava vaiando, pedindo o fim do show sob gritos de “Enough!” para que os garotos nova-iorquinos pudessem entrar em cena mais cedo.

Porra, como assim? Não sei se me irritou mais a falta de respeito deles ou a incapacidade de entender o que estavam vendo. Aquela não era uma banda qualquer! É claro que, depois disso, rolou um mal-estar grande entre os fãs do Arcade Fire (“as pessoas com mais de 15 anos”, como apontou de forma brilhante algum blog no dia seguinte) e a galerinha do Strokes. Não deu em nada mais grave, mas ficamos sem bis. Uma pena.

Apesar do pessoal que resmungava daquela banda que nunca tinham visto na tevê, a oportunidade foi ótima para que aqueles de cabeça mais aberta conhecessem uma das bandas com melhor presença de palco que existem e curtissem junto. Teve desde o Win Butler choramingando enquanto cantava uma versão de ‘Aquarela do Brasil’ até alguns membros da banda subindo nas paredes do lugar (que é um antigo galpão de fábrica adaptado para shows) e se atirando na platéia sem parar de tocar no meio tempo. E o show do Strokes? Foi legalzinho, mas técnico demais. Até o “feedback” era igual ao do disco. Na verdade, me marcou tão pouco que nem lembro de muita coisa.

A partir daquele dia, o salto de Strokes pra Arcade Fire me proporcionou diversas descobertas. A primeira delas foi perceber que as bandas mais interessantes não eram necessariamente as que tocavam nas rádios daqui – e que a Internet era a melhor maneira de encontrá-las. Aprendi também que era possível ser fã de uma banda sem deixar de ter senso crítico. Um exemplo? Quando o ‘Neon Bible’ (segundo disco do Arcade Fire) vazou na Internet, em fevereiro de 2007, eu estava na praia. Fui até o centro da cidade de ônibus só pra comprar um cd virgem, baixar ele numa lan house e fazer uma cópia pra escutar antes do lançamento. E, mesmo assim, a primeira coisa que eu fiz depois de ouvir ele foi uma lista com os pontos fracos da produção (sem entrar em minúcias, podiam aumentar o volume dos pianos em algumas músicas). Foram quase dois anos de insistência até que eu finalmente reconhecesse que sim, aquele era um disco tão válido artisticamente quanto seu antecessor.

Mas o mais importante foi perceber minha estupidez ao pensar que a boa música tinha acabado nos anos 1970 (vale lembrar que o Strokes, apesar de contemporânea, é uma banda de marcante influência sessentista). O Arcade Fire foi a minha ponte entre os Beatles e aquilo que é produzido nos dias de hoje, um dos passos mais importantes na minha formação musical. É claro que, com o tempo, conheci trocentas outras coisas, e notei que a banda canadense era uma entre tantas outras maravilhosas que existiam por aí (eu amadurecia, afinal, e reconhecia que não podia saber tudo). Mas nada muda o fato de que, naqueles últimos meses de 2005, o Arcade Fire foi pra mim a melhor banda do mundo; sentimento que, ainda hoje, resgato em parte ao escutar o ‘Funeral’, primeiro álbum deles.


Ah, e é claro, o Arcade Fire me livrou da vergonha de ter que defender aquela merda do ‘First Impressions of Earth’.

Kings of Leon contrata The Features para seu novo selo


Há cerca de um mês, a Bug Music anunciou ao mundo da música que sua companhia iria se juntar ao 'Kings of Leon' para lançar um novo selo, do qual a banda seria o carro-chefe. Entre algumas regalias, os caras de Nashville poderiam assinar com qualquer banda que desejassem.



'The Features', indie-rockzinho do Tennessee, mesmo estado do Leon, foram os primeiros artistas escolhidos para integrar o novo selo. A banda, que lançou o primeiro EP homônimo em 1997, nunca conseguiu muito sucesso nos EUA. Atravessaram o atlântico, caíram no Reino Unido e bam: deu certo. Depois disso, eles lançaram mais dois EPs: o 'The Beginning', de 2004, pela Universal Records e o 'Contrast', de 2006, lançado e distribuído independentemente. No meio tempo, veio o primeiro álbum de estúdio: 'Exibit A', ainda parte do acordo com a Universal.

Agora, apadrinhados pelo 'Kings o Leon', o 'The Features' lançou, em 28 de julho desse ano, o segundo álbum da banda chamado 'Some Kind of Salvation'. O primeiro single, cujo vídeo oficial está abaixo, levou o nome de 'Lions'. O clipe é muito bem feito e a música tem um quê de batida seca pós-punk, muito comum em bandas como The Rapture ou Franz Ferdinand, mas guarda alguns traços do country-rock, também presente no som dos padrinhos.



Thoughts? Bom, Matthew, Jared, Nathan e Caleb Followill, o 'Kings of Leon', recomedam!

19.8.09

Conheça o The Invisible Cities

por dside music blog

The Invisible Cities é uma banda que não existiria sem a Internet. Com membros vivendo em cantos opostos dos Estados Unidos (alguns em Nova York, outros em San Francisco), o conjunto se utilizou da 'web' para gravar parte de seu segundo trabalho, 'House Shine Like Teeth' . Algumas das sessões foram produzidas através de edições caseiras feitas a partir da troca de arquivos entre as duas cidades. Depois de finalizado, o álbum foi disponibilizado gratuitamente no site da banda - não como forma de uma campanha não-declarada de divulgação, como fez o Radiohead com seu 'In Rainbows', mas com o puro objetivo de arrecadar ouvintes ao redor do mundo.
Nesses tempos em que a Internet leva a culpa pela falência iminente do mercado fonográfico - que, afinal de contas, faturava de mais e oferecia de menos - é rejuvenescedor ver músicos criativos e talentosos fazendo arte ao invés de resmungar. E The Invisible Cities é um ótimo exemplo, dentre tantos que se espalham pelo mundo. Trata-se de uma banda em contato direto com os fãs: se você se inscrever na lista de emails no site da banda, poderá receber até mesmo pedidos de ajuda com o agendamento de apresentações para turnês planejadas em cima da hora. Sinal de que dias melhores virão para a indústria musical, com mais interação público-artista e menos intermediários? Eu espero que sim (e acredito que o Rafa esteja comigo).

Para fazer o 'download' integral de 'Houses Shines Like Teeth', com os encartes incluídos, clique aqui. Basta copiar o código apresentado e digitá-lo no link que será indicado. O álbum é bastante interessante e mescla diferentes influências das décadas de 1990 e 2000, indo de Belle & Sebastian a Sonic Youth. Escute você também e nos conte o que achou!

Após Kelly Rowland, David Guetta grava música com Akon

por dside music blog


O badaladinho DJ francês David Guetta disponibilizou em seu site o aúdio de 'Sexy Bitch', segundo single do seu novo álbum 'One Love', que possui lançamento agendado para 25 de Agosto. A música tem a participação do multi-bussiness man, produtor duvidoso e cantor Akon.

Enquanto o vídeo não sai, você pode ouvir o áudio aqui embaixo.




Thoughts? A batidinha de Sexy Bitch lembra bastante o remix oficial do sucesso Day 'N Nite' do Kid Cudi.

Cheio de batidas que fazem muito sucesso na Europa, principalmente em Ibiza-like parties, Guetta conseguiu sucesso mundial com músicas como Tomorrow can wait, Love is gone e The World is mine.

Ainda no site no moço, foi anunciado o lançamento de mais duas músicas de 'One Love' somente para iTunes: 'I wanna go crazy', com Will.I.Am e 'Gettin' over, com Chris Willis.

O primeiro single de 'One Love', a elegante 'When love takes over', com os vocais de Kelly Rowland, chegou ao topo das paradas na Europa e esboçou algum sucesso no difícil mercado de música norte-americano.




Além de Will.I.Am, Akon e Kelly Rowland, 'One Love' ainda conta com a participação de Estelle, Kid Cudi e Ne-Yo.





18.8.09

Radiohead libera música inédita para download gratuito


Na rede desde semana passada, a música 'These are my twisted words' foi lançada oficialmente hoje, 17, pelo Radiohead, e colocada para download gratuito no site oficial de vendas da banda, o W.a.s.t.e.


No blog do grupo, o guitarrista Johnny Greenwood afirmou que a faixa é uma das músicas finalizadas em estúdio para um novo trabalho, que deve ser comercializado em EPs ou em formatos online. Desde o lançamento de In Rainbows (2008), a banda tem procurado métodos alternativos de divulgação e disponibilização de novas músicas.

De acordo com o site de notícias G1, o vocalista Thom Yorke ainda estaria trabalhando em uma faixa chamada 'New Moon' para o filme de mesmo nome que sucede 'Twilight', a ser lançado ainda este ano.


Thoughts? Achei a música com uma atmosfera de mistério bem bacana. E você?

17.8.09

Christina Aguilera trabalha em parceria com M.I.A.

por dside music blog

Christina Aguilera já havia anunciado a participação das bandas Goldfrapp, Ladytron e Sia em seu novo trabalho, cujo nome ainda não foi divulgado e que pode ser lançado ainda neste ano. Agora, a cantora pop declarou que também está trabalhando com a artista-sensação M.I.A para o álbum. O fato surpreende, pois mostra uma nova tendência por parte de Aguilera - até aqui uma simples cantora de pop comercial com alguns hits sofríveis e, para a crítica, alguém totalmente descartável.

Para os fãs de M.I.A., porém, a notícia não é chocante. Antes de ganhar visibilidade mundial devido à inclusão de seu hit 'Paper Planes' na trilha sonora do filme 'Slumdog Millionaire' ('Quem quer ser um milionário?'), a britânica já era famosa no circuito alternativo por utilizar elementos de gêneros musicais estigmatizados. Talentosa e desprovida de preconceitos, M.I.A sabe absorver influências distintas e transformá-las em algo realmente inovador. Nada mais natural, portanto, que aceitasse o desafio de tocar com a 'señora' Aguilera nesse disco que esperaremos com ansiedade e, admita-se, um pouco de medo.

16.8.09

[Review] - Who's Lady Gaga after all?

por Rafael Maia

Depois do boom inicial, da hypezação e até de ser chamada por Kanye West de 'a nova Madonna', em quem a idade já deixa suas marcas, quem é essa tal de Lady Gaga, afinal?


Nascida em Yonkers, EUA, em 1986, Stefani Joanne Angelina Germanotta se tornou Lady Gaga por motivo que não é difícil imaginar: Radio Gaga, do Queen, de 1984. Ela começou dentro do mundo do entretenimento como compositora. Britney Spears, Fergie e The Pussycat Dolls já cantaram suas músicas. Em 2008, a menina de 23 anos lançou seu primeiro CD, The Fame, com um propósito claro: mais do que fazer todo mundo dançar, Gaga propunha ser a nova sensação da música pop, ou como ela mesma se intitulou no recente vídeo para 'Paparazzi', a nova 'It Girl'.




Não deu outra, foi isso mesmo que aconteceu. Ela tomou rapidinho as paradas da Europa e dos EUA com os dançantes singles de 'Just Dance' e 'Poker Face'. Não dá pra dizer que a menina é ruim. Tudo ali é pensado, da peruca do dia ao sapato extravagante, às declarações polêmicas, às aparições excêntricas. Tenho a impressão de que nada foge ao controle de Gaga. E isso é bom, na verdade. Aos 23 anos, ela é uma artista segura, que dança muito bem, tem boas ideias de performance, sejam elas irreverentes ou exageradas, sabe como entreter e tem uma voz, digamos, compatível com o tipo de música que canta.

E aí não tem como não comparar com a Madonna mesmo. Recentemente, em entrevista-coletiva do álbum 'Hard Candy', quando perguntada sobre como ela se via no início da carreira, Madonna respondeu que ao assistir a vídeos como 'Like a Virgin', por exemplo, o que ela vê é uma menina inocente e desesperada por sucesso e reconhecimento.




É meio difícil discordar de que, apesar da idade, Madonna é a grande força, não só da música pop, mas do universo icônico produzido pelo mundo pop responsável por buscar novos olhares em um terreno em que visões-gêmeas disseminam-se cada vez mais. Com Madonna envelhecendo, aparece a necessidade natural de alguém que a substitua.

Essa situação, ao que me parece, explica um pouco a hypezação em torno da figura de Lady Gaga. Britney Spears, a ex-futura-sucessora tá mais pra lá do que pra cá. A Christina Aguilera, enfim, dispensa comentários. Toda essa meninada da Disney, de Miley Cyrus a Demi Lovato, não deve nem respirar sem que alguém mande.



Há, na música pop, hoje, excelentes e respeitadas cantoras performáticas, como Shakira, Beyoncé ou Rihanna, mas nenhuma que se proponha de fato a seguir a trilha do pop ousado, quebrador de paradigmas e essencialmente feito para dançar, que é o da Madonna. Lady Gaga era a pessoa certa, na hora certa, que encontrou as pessoas certas e produziu o álbum que todo mundo queria ouvir.

Mas, acima de tudo, eu tenho para mim o fato de que Lady Gaga quer ter em menos de um ano de mainstream, por assim dizer, o que Madonna construiu em mais de 20 anos de carreira. Toda essa montagem excessiva e a necessidade de criar polêmicas me soa frágil e me parece, principalmente, uma tentativa desesperada de ser famosa.




O sucesso de Lady Gaga é urgente, é pra ontem. Existe certa urgência da moça em querer ser reconhecida e rule a little part of the world, assim como Madonna disse ser lá nos anos 80. E isso tem acontecido de uma forma tão intensa, o número de informação que consumidores de música recebem dela toda semana é tão grande que me deixa confuso sobre quem, na essência, Lady Gaga é. Às vezes penso que ela quer ser tudo, mas acaba sendo nada, não tendo uma imagem própria e original, valendo-se de pedaços de vários artistas para formar a sua. A única certeza que me resta quanto a ela é que é cedo, muito cedo, para fazer comparações tão grandiosas com artistas como Madonna, que tem 11 álbuns lançados e mais de 200 milhões de cópias vendidas. No mundo da música, Lady Gaga ainda é peixe pequeno.